XXVIII CIOC - CIÊNCIA, SOLIDARIEDADE E CELEBRAÇÕES ASSINADAS PELA UPOOP
IN MILLIONEYES Edição 154, ABRIL DE 2026
A optometria teve palco privilegiado no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria. O Congresso Internacional de Optometria e Contactologia, dinamizado pela União Profissional dos Ópticos e Optometristas Portugueses, quis elevar a ciência que envolve a atividade ligado à saúde visual, mas também apoiar a população da região. Motivada pelos desafios provocados pelas tempestades que “assombraram” Portugal, a organização doou cinco por cento da receita angariada pelas inscrições nesta 28ª edição aos Bombeiros Voluntários de Leiria. E entre tantas apresentações edificantes, houve ainda tempo para homenagear os associados com mais de 40 anos de filiação e a respetiva dedicação à atividade. Para aceder a todas as novidades e vantagens, a equipa do congresso assumiu a aceleração tecnológica e aplicou uma entrada rápida e fácil na sala de conferências, através do uso de um código QR. A edição de 2026 ficou ainda marcada pelo convívio entre profissionais, premiações e perspetivas animadoras para o futuro da optometria.
Entre 13 e 15 de março, Leiria foi o “porto” da optometria, num total de 350 participantes, divididos entre 250 conferencistas, 38 oradores de Portugal, Espanha e Colômbia e mais de 50 representantes de patrocinadores. Para além dos assuntos atuais e prementes da atividade, o Congresso Internacional de Optometria e Contactologia de 2026 (CIOC) convidou os envolvidos a apresentar trabalhos em formato de poster científico.
Este desafio foi brindado com 12 apresentações de elevada qualidade sobre as quais houve uma votação por parte de todos os congressistas para apurar os três que suscitaram mais interesse. Destacaram-se os posters Análise multivariante das habilidades visuais em diferentes modalidades desportivas, em primeiro lugar, Influência da quimioterapia no sistema visual, em segundo e Lente oftálmica para diabéticos a fechar o pódio. Este e todos os trabalhos podem ser consultados no site da UPOOP. Ainda em jeito de homenagem, Graça Rei e Angelino Gomes receberam um reconhecimento pelos 40 anos de ligação à União Profissional dos Ópticos e Optometristas Portugueses (UPOOP) e dedicação à optometria.
Como habitual, entrevistámos a figura de proa da UPOOP e da optometria portuguesa. Henrique Nascimento deu-nos a sua visão sobre o CIOC, sobre a atualidade da atividade que defende e, claro, a sua opinião sempre assertiva sobre o futuro.
Henrique Nascimento em direto
A Edição de 2026 do CIOC demonstrou o crescimento da UPOOP, nomeadamente com as novas metodologias de acesso ao congresso e a interação mais próxima e digital com os participantes.
É uma UPOOP virada para o futuro?
A Edição de 2026 do CIOC realmente destacou crescimento da UPOOP e aspetos cruciais, como comunicação e inovação. As novas metodologias de acesso ao congresso tornaram a participação mais acessível e inclusiva e permitiram que um maior número de pessoas se envolvesse no evento. Além disso, a interação digital facilitou uma comunicação mais próxima entre os organizadores em os participantes, promovendo um ambiente colaborativo e dinâmico. Estas mudanças refletem uma adaptação às tendências atuais e indicam um compromisso com a evolução e a modernização. Ao implementar tecnologias que melhoram a experiência dos nossos associados e reforçam o envolvimento, a UPOOP demonstra estar atenta às necessidades contemporâneas.
Este foi o XXVIII Congresso quase cinco décadas de história. Quer-nos conduzir pelos momentos mais marcantes?
A fundação do congresso há mais de 40 anos foi um marco importante na promoção do conhecimento e troca de ideias entre profissionais da área e ao longo destes anos tem tido grandes marcos. Os primeiros congressos nos idos anos de ’80 do século passado tiveram a presença de vários primeiros-ministros e ministros da saúde, com promessas várias de regulamentação do setor. Lembro um grande congresso, um dos maiores alguma vez realizado em Portugal, na Exponor em Matosinhos, que teve a vinda, como conferencista, do primeiro astronauta optometrista e destaque a presença em todas as edições do nosso querido professor Fernando Carvalho Rodrigues, entre tantos outros momentos. Nos últimos anos, realço “a viagem” por locais tão icónicos e diferentes como: Academia das Ciências de Lisboa, Cidade do Futebol, estádio da Luz, Centro cultural de Belém…
A escolha de Leiria como cidade anfitriã resultou num momento de solidariedade muito emocionante. Conduza-nos por todo este processo que colocou o CIOC no epicentro de um momento crucial numa área geográfica sensível?
Quando escolhemos Leiria, obviamente que não passaria pela cabeça de ninguém que uma tragédia como aquela que se verificou no início do ano fosse acontecer. A pouco tempo do início do congresso chegámos a ser aconselhados a cancelar o evento. Avaliando os prós e os contras decidimos avançar e aqui quero agradecer a todos os que estiveram presentes e a solidariedade que tiveram com as gentes de Leiria, comparecendo em força a todas as vertentes do evento que culminou com a doação de parte da receita das inscrições aos Bombeiros Voluntários de Leiria.
O painel de palestrantes foi intenso e interessante. São ligações históricas que têm com os respetivos profissionais e universidades que tornam o programa científico tão valioso?
A UPOOP ao longo dos seus 50 anos de existência, angariou grande prestígio internacional. Estivemos nos primeiros momentos da criação de cursos universitários por toda a Europa assim como de instituições europeias como a ECOO e a EAOO. Por isto, todos os anos temos solicitações de oradores que querem participar no CIOC com as suas mais recentes investigações e trabalhos clínicos, algo que é muito querido e que vamos continuar a patrocinar a bem da evolução da optometria em Portugal.
Houve temas mais destacados neste congresso?
Houve muitos temas a despertar interesse, no entanto posso salientar algumas palestas sobre a miopia, visão desportiva e visão e propriocetividade. Houve várias palestras que trataram de casos e trabalhos clínicos práticos que muito enriquecem o dia a dia dos nossos optometristas.
Se tivesse de eleger uma ideia, um momento ou um debate como o verdadeiro legado desta edição, qual seria?
Solidariedade, inclusão e colaboração interdisciplinar.
Que mensagem passa deste congresso para os profissionais que não puderam estar presentes?
Que perderam grandes momentos de partilha e união e que não percam o próximo, já marcado para Évora em 2027.
Que ambições já tem para o XXIX Congresso?
Já estamos a trabalhar naquele que terá como lema, Évora Capital Europeia da Optometria. Queremos que seja isso mesmo, em Évora Capital Europeia da Cultura.
Ambicionamos que seja um marco para toda a Europa, contando com grandes nomes da Optometria mundial, não só a nível da atividade como de outras especialidades que interagem todos os dias com os optometristas.
Agora no âmbito da optometria, a questão do reconhecimento pleno da atividade como profissão de saúde continua a ser um tema sensível. Há novidades?
É sempre difícil falar de algo que está em cima da mesa desde o primeiro congresso da UPOOP. Muita coisa mudou, entretanto, e agora a criação de uma regulamentação não depende exclusivamente da associação A ou B, mas sim numa convergência entre as associações, o Ministério da Saúde, o governo e a Assembleia da República. Estamos a aguardar novidades do governo para que possamos começar verdadeiramente a discutir um diploma para a nossa atividade que bem merece. Pensamos (as associações de optometria) que poderá ser algo que está próximo.
Que diálogo se mantém com as entidades oficiais e com outras instituições profissionais da área da saúde ocular?
Vamos falando todos os anos com os diferentes grupos parlamentares, governo e comissões da Assembleia da República, as conversas têm sido boas, mas dado pouco frutos. Talvez porque nos últimos anos não houve entendimento entre as duas associações de optometria. Muito mudou, no entanto, e agora, finalmente temos falado e penso que será um trunfo a favor de todos os optometristas e de todos os profissionais da saúde visual em Portugal.
“Já estamos a trabalhar naquele que terá como lema, Évora Capital Europeia da Optometria”

